Por que anotar é importante nos estudos de idiomas?
Você é do tipo que não anota nada nas aulas e ainda espera resultados?
Vivemos na era digital. Hoje, muitas pessoas estão deixando de lado a escrita à mão e passando apenas a digitar, copiar e colar conteúdos ou, simplesmente, acreditando que conseguem aprender um idioma apenas ouvindo.
Mas será que isso realmente funciona para a maioria das pessoas?
Aprender um novo idioma, principalmente quando ele é muito diferente da sua língua materna, exige que você desenvolva todas as habilidades possíveis. Quanto mais formas diferentes você utilizar para aprender, maiores serão as chances de consolidar esse conhecimento.
Talvez isso não faça sentido para quem pensa:
“Eu aprendo apenas ouvindo.”
Ou ainda:
“Uma boa aula é aquela em que o aluno não precisa anotar nada.”
Sim, existem pessoas que realmente pensam dessa forma.
Mas aqui vai uma provocação.
Se você realmente aprende apenas ouvindo, por que ainda não aprendeu o idioma que tanto deseja?
Existem pessoas que conseguem aprender praticamente só pela audição?
Claro que existem.
Mas elas são exceções, não a regra.
Muitas vezes nos colocamos nesse grupo seleto sem realmente fazermos parte dele. E tudo bem reconhecer isso.
Não é porque você aprendeu uma música de ouvido, sem conhecer partituras, que necessariamente conseguirá aprender um idioma inteiro apenas ouvindo.
Você pode, sim, ter facilidade para desenvolver a compreensão auditiva. Isso será uma grande vantagem quando praticar listening. Porém, será que a sua memória conseguirá guardar tudo aquilo que ouviu?
Na minha experiência, anotar faz parte do aprendizado.
Escrever faz parte do aprendizado.
Organizar o caderno faz parte do aprendizado.
Saber exatamente onde encontrar determinado conteúdo também faz parte do aprendizado.
Um caderno organizado não serve apenas para deixar tudo bonito. Ele facilita revisões, ajuda a localizar conteúdos rapidamente e permite perceber a própria evolução ao longo do tempo.
Outro ponto importante é que a escrita muitas vezes revela dificuldades que passam despercebidas na fala.
É comum um aluno acreditar que domina determinado conteúdo até tentar escrevê-lo.
Ao escrever, percebemos erros de ortografia, de conjugação, de vocabulário e até de estrutura das frases.
Esses erros são extremamente valiosos, porque mostram exatamente onde precisamos melhorar.
A escrita nos ajuda a encontrar a raiz do problema, permitindo que o estudo seja muito mais consciente.
E deixo uma última provocação.
Imagine que seu professor dissesse:
“Eu não sei escrever. Só sei falar.”
Você confiaria plenamente nesse profissional?
Provavelmente não.
Então por que abrir mão de uma habilidade tão importante durante o seu próprio aprendizado apenas porque alguém disse que escrever não faz diferença?
Não estou dizendo que escrever seja o único caminho para aprender um idioma.
Mas, ao longo de mais de 20 anos estudando idiomas e 17 anos ensinando, percebo que os alunos que escrevem, revisam suas anotações e organizam seus estudos costumam consolidar o conhecimento com muito mais facilidade.
Aprender um idioma não é utilizar apenas uma habilidade.
É aproveitar todas as ferramentas que podem tornar essa jornada mais eficiente.
E a escrita, sem dúvida, é uma delas.
